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Futebol, Veneno Remédio
Reuters
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Gol! Hoje a bola vai rolar aqui na estante. Final de campeonatos, muita agitação na programação esportiva da TV, nas ruas, nos jornais, nas bilheterias dos estádios. A dica é um livro que não fala somente sobre estudos de grande abrangência sobre o futebol, como questões políticas, sociais, econômicas, comportamentais em torno do esporte e geralmente que costumam deixar de lado o essencial: o jogo em si, aquilo que faz milhões de pessoas ficarem apaixonadas pelos quatro cantos do mundo. José Miguel Wisnik que é músico, compositor, ensaísta e professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo, desce às minúcias do jogo da bola e de sua evolução ao longo das décadas.
Nas páginas de “Veneno remédio: o futebol e o Brasil”, craques como Domingos da Guia, Pelé, Garrincha e Romário põem à prova idéias sobre o país de escritores como Machado de Assis, Mário e Oswald de Andrade, sociólogos como Gilberto Freyre, historiadores como Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior.
O futebol, tal como foi incorporado e praticamente reinventado no Brasil, tem muito a dizer, com sua linguagem não-verbal, sobre algumas de nossas forças e fraquezas mais profundas, ajudando a ver sob outra luz questões centrais da nossa formação e identidade.
Temas como a “democracia racial”, o “homem cordial” e a deglutição antropofágica do influxo cultural estrangeiro, encontram aqui um viés inesperado e original como um corta-luz, um drible de corpo, um lançamento com efeito ou uma folha-seca - jogadas que os craques brasileiros inventaram ou desenvolveram - encontrando novos caminhos para chegar ao gol e à vitória. Como já dizia a música que Raul Seixas cantava, é um “tente outra vez” constante durante 90 minutos de muita corrida, suor, defesa e ataque. Uma equipe e um único objetivo: vencer.
O futebol, em “Veneno remédio” de Wisnik é uma instância em que as linhas de força e de fuga do embate social e da construção do imaginário se apresentam de modo ao mesmo tempo claro e subliminar, como costuma acontecer com as expressões artísticas. Afinal, o esporte mais popular no Brasil é um prato cheio para que o autor utilizasse um instrumental crítico que bebe na filosofia, na sociologia, na psicanálise e na crítica estética.
A “galera” em geral talvez nem perceba isso, mas Wisnik parece comprovar a máxima que a paixão é cega. E algumas vezes, beira a burrice.

VENENO REMÉDIO:
O FUTEBOL
E O BRASIL
José Miguel Wisnik
Editora Companhia das Letras
344 págs.
Preço sugerido:
R$ 40,00
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