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Entrevista: Marly Braga

Casa Maria de Magdala:
Ações voluntárias pela vida

A Casa Maria de Magdala (CMM) foi fundada em 22 de julho de l991 pelo Dr. Renê Pessa após uma idéia de ação integrada da educação e da assistência social aos portadores do vírus da AIDS. Nesses 17 anos de história de amor e dedicação ao próximo, a Casa Maria de Magdala cresceu fisicamente para melhor atender aos seus pacientes. Hoje, a CMM é dividida em setor infantil, com 20 leitos para abrigo permanente e nove temporários, e o setor de adultos com duas enfermarias, cada uma com três leitos. Uma área de, aproximadamente, 4.500m², gentilmente cedida pela Casa do Homem de Amanhã, abriga também: parque infantil, lavanderias (infantil e adulto), cozinhas (infantil e adulto), salas de fisioterapia (infantil e adulto), biblioteca, livraria, auditório para apresentações teatrais, farmácia etc.
A Casa Maria de Magdala é uma instituição que funciona graças às doações de remédios, alimentos, brinquedos, e principalmente, pela presença de voluntários, que semanalmente passam algumas horas do seu dia para praticarem o bem. E assim é também Dona Marly Braga, que junto com mais quatros pessoas, são responsáveis pela administração da Casa Maria de Magdala. Há 10 anos na casa, Dona Marly não se deixa abater diante das dificuldades, pois sabe que muitas pessoas dependem do seu trabalho e esforço para tentarem seguir em frente ou, pelo menos, amenizarem o sofrimento.

Por Thatiana Cunha
Foto: Ulisses Franceschi

LIG: Quantos pacientes são assistidos pela Casa Maria de Magdala? São atendidos pacientes vindos de qualquer região ou é só para os que moram no município de Niterói?
MB:
Nós temos hoje 04 adultos e 15 crianças. A Casa Maria de Magdala é aberta para todos que necessitam independente de onde moram.

LIG: Todo o trabalho na Casa Maria de Magdala é realizado por voluntários. Como está esse quadro. O número que a casa dispõe hoje é suficiente?
MB:
Não. Estamos precisando muito de voluntários que aqui chamamos de tarefeiros. Pessoas que cheguem de peito aberto, desprovidas de qualquer preconceito e dispostos a fazerem qualquer serviço, uma vez na semana, durante quatro horas, com exceção do período do pernoite que é das dez da noite até as seis da manhã. Qualquer pessoa, de preferência maior de 18 anos, pode ser tarefeiro da Casa Maria de Magdala. Logo que chega, o voluntário passa por um plantão de treinamento realizado todas quartas e quintas-feiras, das 14 às 18 horas, com a responsável pelo treinamento, enfermeira Walma, e por coordenadores por ela preparados, para aprender como tratar os pacientes. Quando você ajuda o próximo, pensa que está ajudando o outro, mas na verdade está ajudando a si mesmo porque a bondade passa por você primeiro antes de chegar ao outro.

LIG: A Casa Maria de Magdala oferece aos seus pacientes especialistas de diferentes áreas médicas. Existe uma defasagem nesse campo também?
MB:
Nós temos no corpo clínico toda uma equipe multidisciplinar, na área médica como na enfermagem, psicologia, fisioterapia, fonoau- diologia, nutrição e farmácia. Não existe falta de profissionais, mas a ajuda, claro, é sempre bem vinda, porque serviço não falta.

LIG: Assim que entrei, percebi que tinham várias placas com nomes de pessoas espalhadas pelo jardim. O que são essas placas?
MB:
Todo primeiro domingo do mês acontece o “Réquiem de uma saudade”. A família de um paciente que foi ao óbito faz o plantio da mudinha de uma planta e o relembra através de uma mensagem ali lida. O evento tem a participação do grupo vocal do CMM cantando músicas belíssimas. É uma analogia que a gente faz. A planta sempre se renova, assim como o espírito. É uma forma de homenagear aqueles que se foram. Essa homenagem também é aberta aos parentes dos que colaboram com a Casa Maria de Magdala.

LIG: Como é trabalhar a cabeça dessas crianças com relação à perspectiva de futuro?
MB:
Para isso nós temos os psicólogos. Muitos dessas crianças vieram para cá bem novinhas e não recebem nem visitas de parentes. São filhos de mães já falecidas e de famílias que não as aceitam. A grande maioria dessas crianças não tem sequer a idéia de convívio familiar e a Casa Maria de Magdala passa, então, a ser a família delas. Já tivemos uma com apenas um ano de idade e que recentemente foi adotada. Agora, estamos desenvolvendo um trabalho de apadrinhamento e sempre que possível, o padrinho leva a criança para ficar em sua casa e para fazerem exames médicos, caso seja necessário. As nossas crianças também fazem aulas de corte e costura, informática, artesanato, artes plásticas etc. É uma maneira de lhes ensinar uma profissão para quando não mais morarem aqui.

LIG: Existem instituições e pessoas que se aproveitam da boa fé dos outros e isso acaba dificultando aquelas que trabalham seriamente. Como a Casa Maria de Magdala lida com isso?
MB:
A nossa maior divulgação é o boca a boca. Nós não ligamos para a casa de ninguém para pedirmos doações. Nós não temos seção de marketing e não pedimos nada.

LIG: Diante do trabalho que é realizado pela Casa Maria de Magdala já existiu algum momento desesperador em que a senhora tenha pensando em desistir de tudo?
MB:
Renê sempre nos falava: “Deus Proverá”. Uma vez tivemos que parar a obra e logo depois, um artista, que pediu nossa discrição, nos fez uma doação. Quando vi o valor do cheque, chorei de tanta alegria. Pudemos então, retomar as obras. Sempre que uma pessoa nos doa qualquer coisa, nós o convidamos para conhecer a Casa. A pessoa tem que saber como será usada a doação que nos está fazendo. Para onde vai o alimento, o medicamento, a roupa, brinquedo ou o que quer que seja. E quando recebemos doações em espécie, damos recibo ao doador para abater no imposto de renda.

LIG: Quais são os projetos para o futuro?
MB:
Vamos inaugurar em breve uma farmácia bem mais ampla, onde vai ser possível a manipulação de remédios. Estão faltando apenas os armários. E gostaria muito que no setor infantil tivesse um elevador para ajudar na locomoção dos cadeirantes. Às vezes, o tarefeiro sendo uma pessoa de mais idade, não consegue carregá-los para o segundo andar, onde ficam os dormitórios.

LIG: Quais eventos já estão agendados?
MB:
No domingo agora, dia 29, nós estaremos na feira de Ipanema para recebermos doações tanto dos artesãos como dos freqüentadores. Vamos ter uma barraca para expor nosso material de divulgação e vídeos para que as pessoas possam conhecer nossa Casa. Esse evento acontecerá todo último domingo do mês. E nos dias 5 e 6 de julho vamos ter barracas de crepes, pastéis e caldo de feijão na festa julina do Colégio Maia Vinagre que fica na rua Noronha Torrezão. E teremos também durante todo mês de julho, uma grande feira do livro nos dias 5, 12,19 e 26 das 9 às 14 horas, onde serão vendidas, a preços bem simbólicos, obras de Chico Xavier. Compareçam e sintam-se à vontade para conhecerem a Casa Maria de Magdala.

www.casamariademagdala.com.br

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Procissão Marítima de São Pedro será amanhã

A tradicional Procissão Marítima com barcos ornamentados, em homenagem a São Pedro, será realizada amanhã no bairro de Jurujuba, em Niterói. Após a missa das 9h, celebrada na igreja de São Pedro (Rua Carlos Ermelindo Marins, s/nº), no próprio bairro, os fiéis seguirão a pé, carregando a imagem do santo padroeiro, até o ancoradouro de Jurujuba, de onde partirá a esperada procissão marítima, às 11h, com previsão de reunir mais de 100 barcos.

A principal embarcação levará na proa a imagem de São Pedro, padroeiro dos pescadores. O percurso será pela Baía de Guanabara, passando pelas praias de Jurujuba, Charitas, São Francisco, Icaraí e Boa Viagem.

Realizada há várias décadas, a festa de São Pedro é o maior evento religioso da cidade e tem atraído mais de 90 mil pessoas, todos os anos. A programação da festa de São Pedro começou ontem e termina amanhã. Muitas atrações como quermesse, dança de quadrilhas, shows artísticos, brincadeiras e jogos, além da feira com barracas de comidas típicas, doces e bebidas. O evento contará com uma decoração temática, espaço exclusivo para crianças, programações religiosas. No Dia de São Pedro, os pescadores se lançam ao mar para pedir ao Santo pescarias mais pródigas e menos acidentes marítimos.

A Procissão Marítima, com seus barcos ornamentados, faz parte do calendário cultural, turístico e religioso da cidade de Niterói e vem atraindo centenas de turistas para o local. O barco mais original, melhor decorado e mais animado, será premiado pela Coordenação da festa. Este ano, serão 5 jurados, que estarão posicionados estrategicamente, numa tenda, que será montada na Marina de São Francisco, local que costuma receber grande número de pessoas para acompanhar a festa no mar.

Para garantir o conforto e a segurança do público, a Coordenação da festa está organizando 3 grandes estacionamentos próximos ao local dos eventos. Mas a orientação é para que as pessoas se dirijam para Jurujuba sem carros, aproveitando para caminhar pelas ruas de um dos bairros mais pitorescos de Niterói e apreciar a bela paisagem do trajeto.

 

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