|
Conjugação de bons verbos
Bruxo, mago, maconheiro, viado, imortal, imoral, marqueteiro. Esses são alguns dos muitos adjetivos que já lhe concederam. Paulo Coelho é o escritor brasileiro mais conhecido no mundo, com o espantoso número de cerca de 100 milhões de livros vendidos. É o mais traduzido autor vivo no mundo. Isso não é novidade. Novidades são as revelações concedidas ao biógrafo e um dos melhores que temos, Fernando Morais (autor de “Chatô” e “Olga”), durante quatro anos. Pesquisas, entrevistas com mais de cem pessoas e algumas semanas diárias de papos com Paulo Coelho pessoalmente na casa dele em Tarbes, sul da França. A tiragem de “O Mago”? Nada mais, nada menos que 100 mil exemplares de cara! Ah, isso sem falar que o lançamento foi simultâneo em 21 países. Paulo tem 60 anos, escreveu 20 best sellers. O livro demorou mais um ano do que o previsto porque Morais acabou abrindo o baú (que não é do Raul...) com objetos, recortes e diários de seu biografado cobrindo mais de 40 anos de sua vida. Melhor do que isso, ganhou de Paulo a chave do baú que inclui um acervo de 170 cadernos repletos de anotações e várias fitas cassete com confissões que digitalizadas renderam 94 CDs. “Pelo menos 80% do que eu conto no livro é inédito.” , diz Morais. Revelações sexuais? Muitas e bizarras. A sexualidade para ele não tinha limites: na juventude chegou a fazer sexo com uma garota diante de sua tia-avó surda-muda e senil. Também freqüentava casas de prostitutas e gostava de ver uma das “garotas” de 70 anos se masturbando. Aos 20 anos, foi para a cama duas vezes com colegas do curso de teatro e segundo conta, finalizou uma e não gostou. Internado três vezes na Casa de Saúde Dr. Eiras, fugiu de lá, duas. Passou por tratamentos de eletrochoques, mas o diagnóstico do psiquiatra mais tarde foi a de “síndrome de Estocolmo”, tendência a se apaixonar e desenvolver dependência pelo seu digamos, “carrasco do amor” e por isso tentava se suicidar. Casado com a artista plástica Christina Oiticica desde 1980 ele se diz fiel porque já provou tudo e com ela descobriu o verdadeiro sentido do sexo e estava cansado das “mulheres-vampiro”, que sugavam a energia de que precisava para escrever livros, seu grande sonho finalmente conquistado. Foi preso pelo DOI-Codi, se encontrou com o demônio, usou LSD, outras drogas, compôs com Raul Seixas (um capítulo à parte que daria um outro livro). Enfim, Paulo Coelho é definitivamente um cara fora dos padrões. E odiado pelos padrões. E amado pelos padrões. E bem sucedido pelos padrões. Se magia é tornar coisas imateriais em reais, atenção: Paulo Coelho deve ter uma fórmula e a divide com quem ler o que escreve. Agora, se você a decifra ou não, isso é outro papo.

O Mago
Autor: Fernando Morais
Ed.Planeta
632 págs.
Preço: R$59,90
|