Liliana de La Torre - missdelatorre@gmail.com

 

A doença da alma

Bill Sanderson/Bruno de Bois

Aqueles que cuidam ou têm parentes e amigos com Alzheimer, sabem o quanto é difícil lidar com esta dura realidade e toda ajuda é bem-vinda. Auxiliar quem tem pessoas queridas com a doença foi o principal objetivo da niteroiense Laura Botelho para escrever “Alzheimer - a doença da alma” lançamento da Russel Editores. Laura e sua família sofreram com dois casos de Alzheimer: primeiramente sua tia paterna e logo a seguir, sua mãe. Diante da falta de conhecimento do assunto e da má fé de pessoas que se aproveitaram da mãe doente, aprendeu pela dor a lidar com a situação. “Escrevi um livro sobre o  Alzheimer para ajudar a quem precisa de informação geral sobre o tema. Quando precisei não havia literatura brasileira e foi um livro de língua estrangeira que me ajudou muito há 10 anos atrás”, diz a autora. Quem assina o prefácio é o premiado diretor de cinema, jornalista, produtor e roteirista Evaldo Mocarzel que sempre sensível às questões humanitárias diz: “ Laura nos ensina como poupar os chamados “cuidadores”, que são as pessoas que cuidam dos idosos, os “anjos da guarda”. Mas seu livro é muito mais do que todas essas qualidades reunidas: é um libelo contra a intolerância, respaldada pela falta de informação; uma fonte de solidariedade para que as famílias possam se unir, se fortalecer e atenuar, às vezes com música, o implacável avanço dos sintomas e suas complicações. Laura não perdeu as esperanças e ainda vislumbra, num futuro não muito distante, uma vacina contra essa doença da alma, como ela mesma diz. Seu exemplo é uma prova de que nós, seres humanos, encontramos uma grandeza infinita na dor, e justamente por isso nos tornamos pessoas melhores, mais depuradas, mais solidárias. E isso nos caracteriza como seres humanos e nos diferencia dos outros animais. Não estou pregando o culto da dor, mas ela nos melhora, com toda certeza, e essa sensação de aprimoramento talvez possa ser um grande alívio para a nossa própria dor de existir, principalmente em seus momentos de paroxismo mais difíceis e pungentes. Há sempre esperança, momentos de alívio e de transcendência musical, e também é isso que nos ensina esse necessário livro de Laura Botelho, um estudo sincero e tocante sobre a condição humana”. O livro é um horizonte esclarecedor que reúne desde medidas de prevenção contra as possíveis quedas dos idosos até maneiras de se lidar com os problemas que afetam as pessoas com Alzheimer, a sensação de perda, insônia, medo da noite, agitação, agressividade, também apatia, sonolência, suor excessivo, às vezes convulsões, angústia, dor, abandono, além dos riscos da desintegração familiar que são sempre iminentes nesses momentos de crise aguda. Esclarecimentos sobre questões jurídicas, interdição de pessoas com Alzheimer, aposentadoria por invalidez e a Lei do Idoso, passando por uma lista de centros de referência em nosso país para ajudar àqueles que não dispõem de recursos financeiros para o tratamento constante que esses pacientes necessitam. Mais informações podem ser obtidas no blog do livro: http://alzheimeradoencadaalma.spa ces.live.com

Nota importante: na coluna da semana passada, a foto de Zélia Gattai abraçada a Jorge Amado é de autoria da fotógrafa, Adriana Lorete. Parabéns pelo belo trabalho, Adriana.

 

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