Ana Cristina de Mattos* aquamattos@gmail.com

 

O olhar

Há mais de 20 anos estava fazendo uma caminhada pela Serra da Tiririca em Niterói com um grupo de amigos. Entre eles havia um rapaz que eu não conhecia. Não me recordo seu nome, mas lembro que era arquiteto. Ao pararmos para admirar o pôr-do-sol, esse rapaz chamou minha atenção para uma enorme teia de aranha. Ao observarmos o sol através dela tínhamos uma imagem cheia de luz e beleza.

Fiquei encantada com a percepção do olhar dele. Sempre achei que um bom arquiteto deveria ter um dom artístico. Entender as necessidades do cliente, dar a forma nos seus sonhos e fazer isso de forma harmônica, é um trabalho que exige uma certa dose de arte. A partir desse dia, sempre me admiro das diferentes formas que olhamos para um mesmo momento. Se um grupo de pessoas olha uma mesma orquídea, os detalhes que são fixados em sua memória serão diferentes.

Nosso olhar não só para o que vemos, mas também para o que sentimos, varia de acordo com o sexo, idade, vivências e o momento de vida pelo qual estamos passando. Vejo a lua espelhada no mar em uma noite, mas se meu amor me acompanha a lua tem a cor e o mar tem o cheiro diferente!
O maior benefício que a maturidade nos dá é o de aprendermos a respeitar diferenças. Se alguém, principalmente as pessoas que nos são próximas, não lança sobre o momento vivido o mesmo olhar que nós, é hora de parar e aprender um novo ângulo de visão. Assim podemos continuar seguindo juntos e vivendo nossas diferenças com o respeito que elas merecem.

Os momentos vividos nos deixam marcas indeléveis. Isso nos transforma no que somos. Nosso olhar deveria ser como o da criança que vê em tudo o novo, sem pré-conceito. Assim teríamos diariamente uma nova visão da vida. Já imaginaram que mágico viver uma nova vida a cada dia?

* Coordenadora da Aquavitae Academia. Telefone 2705-7941.

 

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