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ROCK NA TERRA DE RONDON

Cinco dias na capital de Rondônia, conhecendo de perto a terra desbravada pelo Marechal Rondon e as bandas de rock da região norte e centro-oeste do Brasil. Essa foi a minha aventura na semana passada, durante a 9a edição do festival Casarão, que este ano contou com o patrocínio da Petrobrás, através do edital para festivais independentes de música.


Querembas, da Bolívia

O evento tem esse nome porque acontece no Casarão dos Ingleses, na margem do veloz e perigoso rio Madeira, que antigamente era habitado pelos diretores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Infelizmente existe um projeto de se construir uma hidrelétrica horizontal aproveitando a velocidade do rio, que acabaria por alagar esse maravilhoso patrimônio histórico. Dos três dias de evento, apenas o espetáculo de sábado aconteceu por lá, já que o local não comportaria, por exemplo, a grande quantidade de fãs que foram assistir ao show da Pitty. Na sexta e no domingo o agito foi num imenso galpão chamado Kabana´s.


Ecos Falsos, de São Paulo

Hey Hey Hey, de Rondônia

Além de Porto Velho, o estado tem uma cena musical representativa em Vilhena e Ji-Paraná, e mais três coletivos: Beraderos, Vilhena Rock e Fan Rock - que produz o Casarão -, e todos trabalham juntos para desenvolver o mercado local. Nunca se viu tantos produtores, jornalistas e bandas de outros estados ao mesmo tempo em Rondônia como na semana passada.
Nos dias que precederam os shows, rolaram debates e workshops. Fui o mediador de dois deles: o primeiro, sobre Mídia Independente, com os paulistas Bruno Dias (Urbanaque) e Cirilo Pereira (Revista Trip), abordou questões como credibilidade, viabilidade financeira e conexão entre as mídias. Na mesa sobre o Momento Musical Brasileiro, o produtor do festival Mada (RN), Jomardo Jomas, e o repórter José Flavio Jr, da Folha de São Paulo, levantaram pontos como a diversidade de estilos musicais e os rumos do mercado.

A primeira noite de shows teve um perfil mais pesado, com bandas de hardcore - como as locais Incinerador, Coveiros, Bicho du Lodo e a veterana DHC, além da capixaba Mukeka di Rato -, e a amazonense Underflow, que surpreendeu positivamente. Os melhores shows ficaram por conta dos Visitantes (SP) e Do Amor (RJ), além do Cachorro Grande, que tocou e partiu para o festival PMW, que acontecia simultaneamente em Tocantins. Palmas para eles.


Boddah Diciro, de Tocantins

No segundo dia do evento, o primeiro desfalque. A banda carioca Toatoa não conseguiu levantar fundos para a viagem e não compareceu. Pelo mesmo motivo os niteroienses do Seu Miranda também furaram o compromisso. Já o goiano Johnny Suxx pegou dengue e não pode dar o ar de sua graça. Ainda assim grupos como Hell Fire (RO), Macaco Bong (MT) e MQN (GO) deram conta do recado. Numa noite encerrada pelo Dead Fish, o maior destaque ficou com o Boddah Diciro, de Tocantins, cuja baterista tem pinta de ter uns 18 anos e toca como um veterano.

As cinco bandas rondonienses que tocaram no domingo foram boas, mas a Hey Hey Hey sobressaiu-se das demais. A grande surpresa foi a boliviana Querembas, com rock pesado e de qualidade, e o show dos Ecos Falsos (SP) com participação do Daniel Belleza, que também participou do show da Pitty cantando um cover do AC/DC. "Quem não conhece tira a camisa preta e pede para sair", provocou a cantora após a performance em dupla.


DEAD FISH

E assim, entre garfadas na tapioca, no pirarucu e na banana frita servida de diferentes maneiras, degustando alcaparras gigantes e o tradicional tacacá (uma espécie de sopa indígena), entre goles de vodka Rondonoff, a trupe de convidados deixou Rondônia para trás. Sementes foram plantadas e novas páginas foram escritas em nossas memórias.

 

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